Calor


As vezes eu tenho medo do calor. O calor do tempo, o calor do momento, o calor da estação, o calor da paixão. Nada permanece quente, nada é abrasador por muito tempo. Depois do "calor", seja ele qual for, tudo se esfria.


Depois da claridade atrelada à felicidade de um dia, vem a escuridão da noite. Ela chega abaixando a temperatura e elevando pensamentos e lembranças (boas e ruins). Essas, formam a nascente de um rio composto por lágrimas. Lá se foi o calor do tempo.

Depois do amor depositado em um abraço apertado e um beijo molhado, já se sente a dor da despedida. Um adeus, quiçá um até logo, esvaziando o coração e enchendo a cabeça com recordações frias. Esmoreceu-se o calor do momento.

Depois dos dias ensolarados, coloridos e luminosos de verão, chega a sobriedade do outono esfriando aquele calor, desmanchando toda e qualquer flor, levando embora toda cor. Vagarosamente o outono toma os dias de verão, escondendo sua pigmentação. Jaz o calor da estação.

Depois da incontrolável vontade de dois apaixonados estarem juntos, o comodismo surge e  de repente impera. Depois da felicidade justificada por simples conversas, as palavras perdem o seu calor e começam a não ter mais tanto valor, por isso elas congelam quando são lançadas, tornam-se duras como o gelo. Depois do calor de uma atração, aparece a frieza de um esquecimento. O que é mesmo a paixão? 

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