Nossa primeira primavera

  
 Sempre amei flores. Talvez seja essa a razão para o meu fascínio pela primavera, talvez não. Essa poderia ser apenas mais uma estação, Setembro poderia ter sido como os outros meses, e aquela tarde de sábado poderia ter sido monótona como qualquer outra na minha vida. Contudo, não foi.
   O relógio marcava 4 horas, e o que queria era dormir. Por muito esforço das minhas amigas, resolvi sair de casa e acompanhá-las em um passeio pelo parque da cidade vizinha a minha, o Parque Iguaperê. Coloquei meu vestido com estampa de andorinhas – eu amava o modo com que elas voavam por todo o vestido, pareciam ser tão livres; e eu precisava de liberdade – escolhi minha sapatilha preferida, a azul, e fui encontrá-las.
   Assim que cheguei, percebi que algo estava diferente, e não eram as lindas flores típicas da primavera. Era ele. Alto, sorridente, e com os olhos que combinavam com o céu, e com a minha sapatilha. Depois de algumas trocas de olhares, as andorinhas que estavam no meu vestido pareciam ter ido para o meu estômago. Isso não era comum, não pra mim. Esqueci completamente que estava com minhas amigas quando o vi caminhando na minha direção.
   Ele percebeu o sorriso que surgiu no meu rosto assim que falou o primeiro “oi”, e eu percebi suas mãos trêmulas enquanto pegava uma rosa para me presentear. Depois de algumas palavras, olhares e sorrisos, ele se despediu; não me disse quando iríamos nos reencontrar , no entanto prometeu voltar. Sempre foi misterioso, e hoje eu tenho a confirmação disso.
   Retornei àquele mesmo parque por algumas vezes, até que a estação terminou e as flores foram embora, assim como a minha esperança de reencontrá-lo. Passaram-se os dias, os meses e as estações. Até que um dia, fui convidada para um suposto evento que aconteceria no Iguaperê, e tinha como finalidade reunir jovens das cidades mais próximas.
   Resolvi ir, e dessa vez foi eu que insisti para que minhas amigas me acompanhassem. Chegando lá, não vi muitos jovens, na verdade nunca tinha visto aquele parque vazio em um sábado de primavera. Havia apenas um jovem alto virado de costas olhando para uma roseira. Naquele momento, me lembrei do que tinha acontecido há anos atrás, naquela mesma estação, naquele mesmo lugar, e com aquela mesma pessoa -era ele. Meu pensamento foi interrompido ao ver que o jovem alto que se virou e caminhou em minha direção era o mesmo que me prometera voltar há exatamente quatro primaveras atrás. Senti tudo como da primeira vez.
   Mas agora, é para sempre.

* Esse é o texto que eu fiz para o concurso da folha dirigida, e que vai compor um livro que estará na biblioteca nacional! Falei sobre o concurso, a noite de autógrafos e tudo mais aqui. Espero que tenham gostado.Comentem... Beijos!

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